Os gatos são animais estranhos, cheios de contradições e paradoxos. Por isso mesmo são tão fascinantes. Não são cegamente fiéis e leais como os cães. São arrogantes, teimosos, têm ideias próprias. Em suma, têm personalidade que não sendo jurídica é muito mais interessante. Cá por casa chamamos-lhe a personalidade felina. Só à luz desta intrigante personalidade podemos compreender como um animal que parece tão desprendido e altivo, que age como se existisse por si próprio da mesma forma que o resto do seu mundo existe para ele próprio possa ter violentos ataques de ciúmes mal se sente trocado qual criança pequena que não suporta que a mãe se ausente mais do que um minuto. Acredito que os gatos pensam efectivamente que aquela casa com as pessoas que a povoam exista apenas a partir do momento em que ele lá chegou, tudo foi organizado ao mais ínfimo pormenor para que a sua vida pudesse ser confortável. Mas provavelmente estou enganada, os gatos não me parecem ser bichos que se dediquem a pensar em tais coisas.
Basta-lhes passar a noite acordados à espera de presas que dificilmente resistirão ao seu olhar penetrante, perseguindo cada minuto de escuridão. A esta caçada nocturna segue-se todo um dia a aquecerem-se, perseguindo cada minuto de luz. A conclusão é simples, todos os gatos, por mais diversas que as suas personalidades felinas possam ser repetem em coro o mesmo mantra: Luz e sombra!
